Boa noite,
e para quem vai me ler pela manhã:
Nasci na cidade grande, e morria de inveja quando os amigos, no feriado, iam visitar os pais no interior. Ah, como eu queria ter um interior onde eu também pudesse ir, então pensei: porque não arrumar um cantinho no interior para que eu também possa desfrutar das delícias de uma cidade pequena. Resultado, aqui estou eu nessa cidade, onde meu tio aviador morava,e embora esteja crescendo galopantemente, ainda possui um ar simples e singelo do interior.

Estou traballhando numa empresa de um amigo, cobrindo o lugar de uma moça que ganhou bebê, e como adoro ver o outro lado das coisas, aceitei prontamente e estou adorando. Lá aparece durante todo o dia pessoas de todos os tipos, simples demais, apesar de ter dinheiro em abundância, ponposo demais e não tem dinheiro nem para comer direito, mas todos com uma característica: dão muito valor a amizade. Conversam, contam causos e apesar de ter a característica desconfiada do mineiro, querem ser ouvidos, compreendidos e respeitados. Gosto de olhar prá elas, ouví-las e pensar sobre o comportamento delas, e essa diversidade me fascina.
Interessante é que a maioria não tem muita cultura, mas possui muitas vivências adquiridas, não sabem quem é Edgar Degas mas sabem apreciar a netinha dançando na escolinha de dança.
E eu que pensava que não sabia muito, percebo que eles sabem menos ainda, por outro lado, estou aprendendo muitas coisas com eles. A emoção que a arte nos trasmite está ligada a nossa emoção vivida anteriormente.
Gente, sabe o que nós seres humanos queremos e precisamos? de carinho, de sermos ouvidos, de atenção. No final do dia, nessa empresa onde estou, ligo para os clientes aniversariantes parabenizando-os, a maioria me atende com a voz irritada e quando eu digo que estou ligando por causa do aniversário delas, elas sorriem com a voz.
Temos que ter tempo para as pessoas, a alegria de fazê-las satisfeitas é maior em mim.
Olha eu aí, sou uma caipira convicta, e para todos vocês, mando muitos batiotiôs.